domingo, 20 de fevereiro de 2011

RESUMIDAS IMPRESSÕES: O Eu em Cubos, Contos Terapêuticos, Ewandro Magalhães Jr

Por Fernanda Matos

Escolhi este livro, nessa minha semana atribulada, apressada, por ele ter apenas 96 páginas, assim, eu o terminaria a ponto de deixar “blogada” no fim de semana minhas resumidas impressões... Para minha surpresa cada página, ou melhor, a cada frase uma cena ou muitas, as páginas triplicaram de informações. O autor é detalhadamente descritivo, vejo mesmo um monte de pequenas cenas, no livro e em mim, quase sentindo o cheiro que haveria nelas, com certeza, relembrando antigos odores...

Antes mesmo de começar, peguei minha lanterna para iluminar a dedicatória, o escuro que dá medo a muitas pessoas: “A meu pai, que prometeu”. Prometeu o quê? Isso nem tanto me interessa... mas será que cumpriu? Acho que não, afinal se o autor escolheu a palavra “prometeu” ao invés, por exemplo, da palavra “realizou”, tendo a compreender que tudo parou na promessa. Por outro lado, Prometeu, na mitologia grega, não foi quem roubou o fogo dos deuses para dar aos homens? Então, posso entender tudo exatamente ao contrário, o pai, foi quem deu ao autor, o fogo da vida, assim ele não apenas prometeu, como realizou.

E é isso! Ao longo dos contos, Ewandro vai de um lado ao outro oposto, denunciando vários sentimentos, como a tristeza ou raiva por um pai que lhe abandonou, mas que no tique taque da vida, e do amor intrínseco no existir de pelo menos a união de um óvulo com um espermatozóide, união geradora de um filho, ele reconhece, resgata e atesta a existência do pai, que lhe deu a vida, os erros, as esquivas, as resignações, as ressignificações, a redenção, uma Viagem de ABC a Z, um Camaleão que experimenta várias cores para em sua defesa passar desapercebido ou inserido em certos ambientes.

Das visões quase opostas do mar, uma à beira, onde tudo está bem perto, ou bem fragmentado, em cubos, peças isoladas de um quebra-cabeça, que só se pode ver ao se distanciar do mar, na varanda e no alto de um edifício, onde a vista e se avista outras histórias. Dos sentimentos de paz e calmaria, para Além das Ondas, tudo pode se transformar em angústias de uma Promoção morrida de um tal Dr. Nobre descobridor, ao menos ao morrer, que a elegância tão desejada, exagerada, superficialmente vivida da sua gravata o enforcou.

As sequóias de quando fora criança da Rua Jacutinga repleta de Tarados medos, abandonos caninos, que viraram goiabeiras aos olhos de um menino que cresceu e rompeu com os familiares e seus fantasmagóricos medos, ensinando a sua própria filha o doce gosto da fruta das ruas da liberta infância ou da infância livre. Uma infância guardada numa Garrafa Japonesa musical e dançarina, que embalou histórias vivas e que as viveu, por vezes, parecendo aprisionada na mesma valsa. Uma bailarina, uma alma feminina que Ewandro me fez escutar, dando voz a um objeto inanimado que se não fossem minhas utopias e sonhos, não a escutaria.

E Antes do Fim dessas minhas palavras, li e reli umas quatro vezes a Receita Anônima que marca a infância da gente ao encontrar o mal: um “vai tomar no cu” sem dizer nenhuma dessas chulas palavras, mas que agressivamente, vingativamente ou por fim, catarticamente, diz e as devolve a quem não mais lhe fará mal. Afinal, na vida do Eu em Cubos, o sabor do mago e da magia que há em nós transforma tudo e todos que decidem por montar seu próprio quebra-cabeça sem conhecer a imagem na capa da caixa, porque a vida não pode ser encaixotada.

Adorei esse pequeno grande livro Sobre Contos Terapêuticos e o recomendo para quem tem e quem não tem pressa...

Um comentário:

Maíra Bezzi disse...

Legal, Fê! Tenho esse livro aqui em casa. Vc sabia que o ewandro foi quem iniciou o JOão na tradução simultânea há muitos anos atrás? Pois é...
bj grande e... tô te esperando praquele bendito nosso chazinho... cadê tu, mulher?