quinta-feira, 3 de março de 2011

RESUMIDAS IMPRESSÕES: As 12 Etapas do Perdão, Paul Ferrini

por Fernanda Matos

Não me lembro se foi numa segunda ou quarta-feira, pouco importa também. Chego em casa, minha nova-antiga casa, em meio as minhas mudanças e arrumações e meu cansaço, e lá está ele a minha espera: Minha primeira correspondência da mudança, um pacote maior do que uma conta-cobrança que se costuma receber pelos correios, um gordo, grande e alegre envelope para mim. Remetente? Ele! Meu querido amigo. Abro e leio:

Já tinha falado do perdão há algum tempo, e na semana que passou li teu blog, onde havia um texto sobre perdão. Lembrei de um livro, e resolvi enviar a ti... segue teu presente: As 12 Etapas do Perdão, de Ferrini

Da alegria que senti ao ver o embrulho, ao desembrulho, espanto e curiosidade, que título?!... E uma carta com uma bem gravada em mim a antiga e torta grafia Dele! Meu primeiro grande amigo e namorado... tínhamos por volta dos dez anos, e esperávamos juntos nossos pais nos buscarem depois das aulas. Já tínhamos naquela época conversas compridas e de grandes afinidades. Ele me pediu em namoro e me ofereceu um jantar com meu prato predileto, estrogonofe. Eu aceitei e fui ao aniversário, com ele dancei e todos descobriram sobre o nosso pueril namoro. Com o passar do tempo e da pressão social, a timidez nos invadiu e não mais namoramos... Ele foi para o sul e lá está ele. Posso dizer que para sempre Ele me vem como um grande norte, alimentando-me de muita amizade, amor, afinidades e compridas e eternas conversas.

Estranhei o livro desde a capa até o final, mas insisti em sua leitura, pois uma das coisas que mais gosto na vida é ganhar presentes e os usufruir... eles sempre tem haver comigo e com quem me presenteou. Vencer a leitura dele foi mais que um presente. O livro parece o tal de de auto-ajuda, no entanto, como diz meu amigo, é só mais alguém escrevendo sobre suas impressões, longe de fazer um manual, eu no fundo sei, que o autor sintetizou muito de sua crença e vivência. A introdução fala do perdão como sempre ouvi nos corredores cristãos e como escrevi em resumidas impressões do livro A Cabana. Então nas primeiras linhas não vi tanta graça... a graça se dá ao longo da vida, quer dizer da leitura e de mim, leitora que me coloco à disposição em aprender sempre.

Mas quando ele explicita a primeira etapa que é acolher o medo, eu fiquei enlouquecida para transformar matéria bruta em ouro e alcançar o elixir da vida. Para não perder nenhuma das etapas e nem o costume de conversar com o autor, escrevendo no livro, a cada passo um resumo com item adicionado. No fim do livro ficou assim, um manual, Perdoar é e não é, Viver é:

1º Pilar: Assumir a responsabilidade pela própria paz
            1.1 – Acolher e sentir o medo
            1.2 – Desejar e pedir amor
            1.3 – Mas um amor que origina em si mesmo, amor-próprio
            1.4 – Ficar no presente, pois o passado já acabou e o futuro não chegou. Equalizar-se na vida presente.

2º Pilar: Descobrir a igualdade
            2.1 – Não há culpados, nem pecados, mas sou responsável por...
            2.2 – Aceitação do que foi e do que é e do que não será.
            2.3 – Disposição para aprender sempre.
            2.4 – A autoridade se exitir, existe de mim para comigo. Mas não existe de ninguém para ninguém. A vida se autoregula...

3º Pilar: Confiança (não há controle!)
            3.1 – Aceitar o bom e o ruim, pois tudo oferece lições.
            3.2 – Deixar o vinho maturar no barril da vida, do tempo, da paciência, da confiança.
            3.3 – A vida é cíclica, ou melhor helicoidal (DNA´L). Nada é linear!
            3.4 – Pedir faz parte do respirar: inspirar é expandir e expirar é recolher.

4º Pilar: O Universo Conspira à favor!

Pois é...

Sei que em momentos muito duros, o universo me acolheu.
Sei que o universo conspira à favor.
Sei que há na vida amor para além da dor.
Sei que na solidão há um grande reencontro.
Sei que o Universo tem vários nomes, um deles, Deus, outros de ateus...

Sei que eu não teria comprado este livro, mas o ganhei de presente, e pude ir para o além de suas palavras (que poderiam ser interpretadas reduzidamente). Aceitei o presente, o livro, porque meu paladar tem aceitado mais calmamente a gangorra da vida, degustado mais do vinho que posso comprar ou ganhar, seja ele da qualidade que for...

Sei que o autor fala num tom religioso, mas o leio tentando distanciar o meu julgar... são só as impressões dele e a forma dele dizer o que sente e o que tem feito com o que ele sente.

Sei que ele defende a vida com a existência do perdão.

Sei. Sinto:

Sinto que se tudo precisa ser perdoado, nada há de precisar de perdão!
Sinto que perdão é uma grande perda e junto aos ganhos, tudo é ilusão.
Sinto que não há o que se ganhou ou perdeu.
Sinto que a vida É, e dança em mim (mesmo que em momentos muito frágeis eu também sinta que estou dançando...)
Sinto: Gostei do livro, desde o momento dele empacotado:
Sinto: Geovane, meu querido amigo, quando nos escolhemos amigos lá na pureza do nosso olhar e fala, escolhemo-nos para todo o sempre e com todo o amor.

Eu te amo um monte! E Obrigada pelo lindo presente! Caiu feito carapuça, luva, vestiu-me do manto sagrado, invisível, de um amor humano e divino que temos um pelo outro. Continuemos à distância, tão pertos, a trocar, a aprender e a viver.

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