sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

RESUMIDAS IMPRESSÕES: O JACARÉ BILÉ


Autora: Alessandra Roscoe
Ilustradora: Ítalo Cajueiro

Aqui em casa, nessas férias de janeiro de 2012, estamos todos meio bilés... Resolvemos no primeiro terço das férias, aproveitar mais a noite do que o dia. Assim, ficamos até tarde montando lego, lendo, escrevendo e/ou assistindo filmes maravilhosos. E quando o dia amanhece e, nos acorda mais cedo do que efetivamente estamos descansados, passamos o resto do tempo, que nem o Jacaré da Alessandra e do Ítalo, um tanto com sono, assim, bilé...

Essa personagem é uma das gostosuras que nos acompanham, desde a primeira vez que lemos o livro, lá pelo final do ano de 2009 ou 2010... Já foi motivo de muito riso na cama, na mesa, ao ar livre, dentro do carro e com outras crianças da família... E de vez em quando, ao vermos a lua toda cheia lá em cima, e na barriga a fome latejando, lembramos do Jacaré Bilé que transformou nossa lua em tapioca.

Aliás, o fato da lua ser como uma tapioca traz para nossa casa um brasileirismo memorável: as tapiocas inesquecíveis de Porto de Galinhas; as, ora engraçadas, ora frustradas, ora vitoriosas tentativas de troca do pão francês engordativo pela branquinha e quentíssima tapioca matutina; a referencia nordestina, bem merecida, na capital do país.

Então, o que posso afirmar, sem dúvida nenhuma, que foi uma das histórias mais curtas, simples, fantasiosas, engraçadas e marcantes de nossas leituras familiares. Alessandra Roscoe foi feliz em descobrir ou ser descoberta belo Jacaré Bilé. Numa escrita ritmada, que ao ser lida em voz alta, parece um canto, que embala até nossos pequeninos cães.

Fazer da lua um alimento natural e popular, como a tapioca, é como afirmar ludicamente o que sinto na minha alma, profundamente: A lua me nutre. Ao contemplá-la, sinto sua energia me amparando na fé, na imensidão, no universo, no infinito e no eterno. A lua me alimenta tanto, que a devoro com os olhos e adormeço confortavelmente, assim como o Jacaré Bilé que conseguiu bebê-la em seu reflexo e, consequentemente, dormir preenchidamente.

Acho que essa história de viver no mundo da lua, como se estivesse louco, ou perdido, é conversa de que não conhece, e muito menos, aproveita o poder que ela tem em equilibrar os sentimentos mais guardados, em dar colo, em reorganizar os pensamentos. Eu tenho certeza que o Jacaré Bilé experimentou essas sensações, porque no final da história ele deixou de ficar bilezão...

Por outro lado, a sensação que Ítalo me passou, com seus coloridos desenhos, está bem longe de me deixar bilé, um tanto com sono. Muito pelo contrário, deixou-me acesa e um tanto confusa. Não é o estilo de ilustração que mais admiro, porém admirei por inovar o meu olhar. Talvez, seja uma coisa de me abrir para a arte visual mais moderna; talvez, apenas me conscientizar das preferências de cada um e da minha.

Contudo, preciso enfatizar, os olhos, as expressões das personagens de Ítalo, me passam exatamente o que as palavras de Alessandra cantam. Ilustração e Texto estão juntos nesse gostosinho, fofíssimo e feliz livro.

Penso que é uma história a ser lida, contada, e cantada por e para crianças pequeninas e pequenas e, relembradas quando estas forem crescendo, porque foi isso que experimentamos aqui na minha família. Meu filho e minhas duas sobrinhas, eu sei que, vão lembrar na vida adulta do Jacaré que era bilé... ou quando formos ao pantanal, na adolescência deles, passeando pelos rios, contando para os guias contadores das histórias dos répteis de lá, sobre o nosso Bilé brasiliense misturado com cearense.

Ah, quase me esqueci: Esse livro é particularmente especial, porque numa das visitas da Alessandra à escola do meu filho, ela lhe escreveu uma dedicatória finalizado com beijocas e tapiocas...

Fernanda Matos.

3 comentários:

Ives disse...

Olá, que legal hein, grandes histórias são assim, comovem e marcam profundamente! abraços

Alessandra Roscoe disse...

Fiquei comovida com este relato! Saber que nossos personagens e histórias alimentam outras histórias faz tudo valer a pena! Obrigada Fernanda!

Fernanda Matos disse...

Ives, obrigada pela visita de sempre, um beijo proce